
Solidão
Sempre gostei de estar sozinha. Entretida com os meus pensamentos, com os meus livros e leituras, com os meus filmes, com a minha música, com a minha escrita. Para mim estar sozinha nunca foi sinônimo de solidão, aliás, nos meus maiores momentos de solidão estava rodeada de gente. Mas a sociedade promove uma ideia negativa do estar sozinho. Como se fosse sempre resultado de uma falha social, ou no extremo oposto, um ato antissocial. Há sempre a pressão de “estar com pessoas”, nem que tenhamos que criá-las de propósito (filhos). De partilhar experiências, de ver e ser visto. Quem não quer pagar o preço de todas essas coisas é mal visto. Estar sozinha para mim é como dormir, é o que nos permite manter o equilíbrio. Há pessoas que só precisam de dormir 5 horas por dia, outras 8, algumas 12h. Eu sou a das 12h. As interações sociais são difíceis, principalmente quando nos propomos a desenvolvê-las sóbrios e sendo nós próprios. Ler as pessoas, conhecer e conseguir cumprir os diferentes protocolos sociais, gerir interesses e expectativas, etc, é estressante e cansativo, e é difícil passar desse ponto da relação se não passamos assim tanto tempo e não partilhamos assim tanta coisa com determinada pessoa. Por isso é tão difícil fazer amigos depois de sairmos da escola.Estarmos sozinhos é estarmos conosco próprios e isso é um luxo hoje em dia para a maior parte das pessoas, esmagadas entre as solicitações diárias profissionais, familiares e sociais. Estar sozinho pode ser uma fase passageira ou uma escolha de longo-prazo, mas não tem que ser encarado como uma coisa má, é uma oportunidade de contemplação e de crescimento.
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