sexta-feira, 18 de maio de 2012

Regressar ao sonho antigo? Lutar? Ou aceitar a derrota, e continuar? Como me rendo a esse tempo perdido? A esse tempo que tudo me deu, e tudo me roubou... Não sei, mas na dúvida me detenho, em cada dia que passa implacável... Talvez tenha sido eu quem se perdeu... Naquilo que então era o essencial. Saudades  desse viver ao sabor das vontades. Dessa confiança na sorte. Desse desprezo pela morte... Dessa criança, para quem tudo era simples. E simplesmente, possível... E agora? O que mudou? Porque pesa o relógio da vida? Porque se afasta o tempo de mim, sem parar? Porque me recuso a voltar? Ainda é cedo... Será cansaço? Ou talvez medo... Pura irresponsabilidade, esta de ficar sem saber onde. Este não fazer caso da infantil fantasia. Este ir dançando a contragosto. Este viver sem escolher, e este escolher não viver. E de assim, errantemente, ir esperando um futuro...

"Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens."

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

MÃE


Apesar de que preciso chorar a sua perda,
você mora em que lugar seguro em meu coração,
onde nenhuma tempestade ou força ou a dor pode chegar até você.

Seu amor era como a aurora
Luminoso sobre a minha vida
Despertar sob a escuridão
A aventura ainda mais da cor.

O som da sua voz
Ouvida por mim
Era uma nova música
que iluminava tudo.

Tudo o que você envolveu em seu olhar
vivificado no gozo do seu ser;
Você colocou sorrisos como flores
no altar do coração.
Sua mente sempre brilhava
de admiração das coisas do mundo.

Ainda que os seus dias aqui tenham sido muito breves,
seu espírito estava vivo, acordado, completo.

Nós olhamos uma para a outra e deixou de
partir da distância de idade de nossos nomes;
Agora você mora dentro do ritmo da respiração,
tão perto de mim como eu sou para mim mesma.

Embora não possa vê-la com os olhos exteriores,
Sei olhar com a alma acima de seu rosto,
sorrindo para mim de dentro você me observa.


Não vou procurá-la apenas na memória,
onde vou crescer sozinha sem você.
Eu te encontro em presença,
Ao meu lado, quando a beleza ilumina,
Quando brilha a bondade,
E a música ecoa tons eternos.

Quando orquídeas iluminarem a terra,
inverno sombrio se transformar em primavera;
Setembro dará luz à flor tristeza escura, com esperança
Em cada coração que ama.

Que você possa continuar a me inspirar:

Para entrar cada dia com um coração generoso.
Para atender a chamada de coragem e de amor
Até que eu veja o seu belo rosto de novo
Nessa terra onde não há mais separação,
onde todas as lágrimas serão apagadas de nossa mente,
E onde eu nunca vá perder você novamente.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ora-pro-nobis: A planta divina....


Seu nome vem do latim Orai por nós, e tem uma história interessante: Conta a lenda que a planta existia nos quintais de uma igreja, e quando o padre estava dizendo a reza final, o ora-pro-nobis,  os escravos aproveitavam e colhiam a planta antes que o padre pudesse ver. Hoje é chamada de carne de pobre por seu alto teor de proteínas. Ficou muito tempo esquecida pela maioria das pessoas, mas vem aos poucos ocupando os espaços gastronômicos e pelo jeito veio pra ficar. Em alguns lugares de Minas existem festivais para homenagear esta planta que tem como nome cientifico  Pereskia aculeata Mill ,é da família das Cactácea,  a parte usada são as folhas e seus princípios ativos Proteínas, vitaminas A, B e C, cálcio, fósforo, ferro. Trata-se de uma trepadeira que apresenta folhas suculentas e comestíveis. Por apresentar ramos repletos de espinhos e crescimento vigoroso, a planta pode ser usada com sucesso como uma cerca - viva intransponível. Do ponto de vista ornamental, o "ora-pro-nobis" apresenta uma florada generosa que ocorre entre os meses de janeiro a abril, produzindo um espetáculo surpreendente. A floração, embora exuberante, é efêmera, pois dura apenas um dia. Uma outra característica interessante é que suas flores são muito perfumadas e melíferas, tornando o seu cultivo indicado também aos apicultores.
Após a floração, o "ora-pro-nobis" produz frutos em forma de pequenas bagas amarelas e redondas, entre os meses de junho e julho. E aí vem um ponto importante (até eu tenho dúvidas sobre isso) a ser observado: nem todas as variedades desta planta são comestíveis; apenas a que tem flores brancas, com miolo alaranjado e folhas pequenas. Eu não sei se isso é verdade, alguns sites dizem, mas eu me lembro, quando pequena que as flores dos ora-pro-nobis eram rosas....E agora???? Quem souber me explicar, me ajude por favor...O vegetal pode ser encontrado em vários estados brasileiros e, além do apelo religioso, pode ser muito benéfico à saúde. Estudos apontam que 25% de suas proteínas estão concentradas nas folhas que são usadas, principalmente, em várias receitas da culinária mineira. As folhas podem ser ingeridas tanto refogadas quanto cruas, e as suas flores, também comestíveis, podem ser utilizadas para fazer suco.Suco da flor eu nunca tomei , mas eu li que pode ser feito...
Eu tenho um pé em casa e está carregadinho de flor...Não vejo a hora dele florir e colocarei aqui pra todos verem....Até prometi para a Katia Crivellari que postarei em homenagem a ela que me indicou onde eu conseguiria a muda...Não vou deixar de cumprir está ok amiga querida?...
Qual mineiro não conhece o famoso frango com ora-pro-nobis? Muito bom aliás ...Ele refogado ao alho e óleo era mais comum nas famílias ,como a minha, humildes.Acompanhado de um simples angu, feijãozinho fresco e arroz branco.Delícia...Nutritivo e gostoso, quem não conhece procure e verá quanto esta planta faz bem ao corpo e ao espírito...É uma planta divina até no nome...Ora-pro-nobis....

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Beldroegas



Perguntaram-me qual o prato preferido. Oh dúvida cruel... Gente, eu como quase tudo, se for bem feito é claro. Evocar um restaurante e aquele prato inesquecível? Confesso que raramente vou a restaurantes e não guardo nenhum momento daqueles que ficam registrados para sempre na memória gustativa. Seria talvez presunção da minha parte dizer que na minha casa “come-se bem”. Talvez porque, de vez em quando, tenho algumas reclamações, sobretudo quando faço alguns dos pratos tradicionais que não correspondem aos gostos do marido. Desde pequena fui iniciada na tarefa de cozinhar porque as mães não abandonavam essa qualidade que as filhas deviam levar para a sua missão de donas de casa. Eram receitas simples e tradicionais de uma casa modesta, de uma família mineira de descendência italiana. Nesse tempo a variedade de produtos não era grande e o abastecimento de verdes e frutas fazia-se no mercado, duas vezes por semana. A maioria dos alimentos vinha mesmo era do quintal de casa ou do mato mesmo... A carne resumia-se ao frango, ovos e às vezes, uma carne de boi de segunda. Carne de boi de primeira, porco e peixe eram coisas para visitas ou dias de domingo. Nessa época nós morávamos em São Paulo e carne de porco e peixe eram artigos muito caros. Meu pai não podia com esses luxos. Quando eu ia visitar minha avó Virginia em Minas, lá numa cidadezinha chamada Miraí, eu podia comer comidas maravilhosas, praticamente todas, hoje, viraram mato na concepção das pessoas: ora-pro-nobis, cansanção, serralha, beldroega, taioba, umbigo de bananeira, cariru, cará moela, jenipapo, marmelo, tamarindo, Jatobá e outros tantos que só gente de interior e mesmo assim os mais velhos é que conhecem.Alguns produtos comuns na cozinha desapareceram do mercado porque deixou de existir a coroa de hortas que rodeava as cidades. Entre elas conta-se a beldroega (Portulaca oleracea L.), planta espontânea muito comum nas hortas e que é atualmente considerada uma infestante das culturas. Assisti a um programa da Rede Minas outro dia pelo Youtube, chamado Trilhas do sabor onde  dois temas me chamaram atenção : Matos comestíveis e Comidas em extinção. Fiquei contente de ver que tem pessoas ainda lutando para que certas qualidades de plantas voltem a nossa mesa. Quem gostar de temas culinários recheados de história boa assista a estes programas que eu tenho certeza que não se arrependerá. Uma viagem pela gastronomia mineira com suas tradições cultura e saberes. Trilhas do Sabor conta histórias que passam pelas cidades de Minas com seus fogões à lenha e rodas de prosa de comadres e compadres. Quem comanda o passeio é o cineasta, fotógrafo e cozinheiro Rusty Marcellini.
O universo da cultura gastronômica vai muito além de receita. Conheça a tradição e a criatividade do povo de Minas Gerais, que desenvolve sua gastronomia a partir do que a terra dá, misturando a esses elementos seu tempero, sua simpatia e o saber que vem de outras gerações.
Mas voltando ao assunto, eu  tenho a sorte de um pé de beldroega ter vindo parar em um dos vasos das minhas plantas e, assim, todos os anos por altura do verão, tenho beldroega.Aqui em casa no quintal ainda tenho ora- pro- nobis e Taioba que preparo fresquinhas e suculentas. Meu marido diz que só como mato e que isso é comida de bicho, mas Mineiro é assim... Fazer o que...
Dica: Experimente a beldroega ao alho e óleo. E coma com frango, polenta, no macarrão...

Você também pode misturar suas folhas e talos picados com tomate, cebolinha, temperando com sal, limão e azeite - fica um delicia!
Resolvi procurar uma receita e achei essa que é de Portugal , mas cabe perfeitamente ao nosso gosto. Receita do Alantejo, Sopa de Batata com Beldroega:

“É muito simples. Então, faz-se assim: refoga-se cebola e dentes de alho picados em azeite; em seguida juntam-se as batatas cortadas em cubinhos, os raminhos e folhas das beldroegas e deixa-se refogar um pouco; junta-se água e tempera-se com sal, colorau e folha de louro. Quando as batatas estão cozidas, abrem-se ovos que se deixam escalfar. Garanto que é muito bom. A receita que dei é como a minha mãe fazia. Mas claro que haverá variações, como poder levar tomate ou ser enriquecida com queijo de cabra.”
Achei outra receita um pouquinho mais elaborada veja:
“ Sopa de beldroegas na minha terra faz-se com tudo em cru em camadas dentro da panela. Fio de azeite no fundo e batata e as beldroegas e cabeças de alho inteiras (tantas quantas as pessoas que gostarem de as comer assim) com a casca (só se tiram as peles de fora para irem limpas para a panela). As beldroegas arranjam-se tirando às que já têm o olhinho do meio que é o que faz a sopa amargar. Tapa-se de água e mais um pouco (conforme se é para comer assim ou com sopas de pão). Quando está quase cozinhado deita-se os ovos abertos que escalfam no caldo. Serve-se de preferência deitando a sopa numa tigela por cima de sopas de pão fininhas e só depois se serve para os pratos.Esta é a forma como se faz na minha terra. Cá em casa faço assim ou algumas vezes mais rica porque acompanhada com queijo de cabra o que liga maravilhosamente. Serve-se a sopa no prato com o ovo no meio e de lado uma fatia do queijo. “
Einstein dizia que entre duas teorias para explicar o mesmo fenômeno, provavelmente a mais simples seria correta. Acredito que o mesmo se dá com as receitas culinárias. Esta sopa deve ser muito saborosa.
Olha só o que um site de plantas medicinais fala sobre ela:
A Beldroega é considerada uma planta refrescante. A beldroega tem valiosos minerais, vitaminas, e grande quantidade de ácido salicílico. Em infusões é tônica e depurativa do sangue.
É empregada internamente contra disenteria (principalmente infantil), enterite aguda, mastite e hemorróidas. As folhas são utilizadas contra cistite, hemoptise, cólicas renais, queimaduras e úlceras.
Suas folhas têm propriedades diuréticas e refrescantes. Aplicadas sobre as feridas favorecem a cicatrização e, em decocções, combatem as inflamações dos olhos. Colocando-se folhas de beldroega debaixo da língua ajuda a acalmar a sede.
As folhas também podem ser aplicadas como compressas para acalmar hematomas e inflamações nos olhos.
As sementes são vermífugas poderosas e excelentes emenagogas. O suco é particularmente efetivo, internamente ou externamente no tratamento de doenças de pele.
Indígenas das Guianas usam-na contra diabetes, para problemas digestivos e como emoliente e, externamente, como ungüento para problemas musculares.
Estudos clínicos têm mostrado que esta planta é rica fonte de ácido graxo Omega-3, substância importante na prevenção de infartos e no fortalecimento do sistema imunológico. Devido a presença de catecolaminas em seu extrato aquoso verificou-se também uma ação relaxante na musculatura.
Viu quanta coisa boa? Um simples matinho que você pode ter lá no fundo de sua casa, em algum vaso, ou mesmo nascendo em canteiros na sua rua pode te trazer benefícios além de ser um saboroso alimento... Um viva aos matinhos !!!!



sábado, 7 de janeiro de 2012

ADOÇÃO - CUIDADO COM O PRECONCEITO


A adoção é um tema difícil pra mim, mas é uma maneira de expurgar fantasmas de meu armário....
Passei a vida lutando contra os piores preconceitos, aqueles velados, aquela sujeira debaixo do tapete social, aquela tal hipocrisia.
Eu sou filha adotiva e tive sempre medo de revelar isso aos outros. Eu ouvi opiniões muito negativas de pessoas sobre adoção sem mesmo ...saberem que eu era adotiva. Pensamentos assim: “Tá dando trabalho porque é filho adotivo, já falei que isso não da certo, filhos adotivos não amam seus pais, amor está no sangue, na raça” ou assim : “ Esse aí não vai dar coisa boa, vem de sangue ruim, não faz parte da nossa família, sangue é sangue né?”
Não cabe na minha cabeça que o amor tenha que passar pelo sangue! Somos todos irmãos. A humanidade é um só corpo, pertencemos ao mesmo gênero e não é do sangue que nasce o amor. Sangue apodrece debaixo da terra. O que une as pessoas é algo muito mais sutil, delicado e profundo que o sangue ou legitimidade de um filho. Se eu tenho um filho em minhas entranhas, mas quando ele nasce eu não o adoto em amor, e isso acontece muito, onde está a legitimidade deste filho?
Agora, mais velha, tenho um olhar amplo sobre a adoção e o nosso sofrimento (os adotados), por conta desse preconceito mais do que cruel, que nos olha como se fossemos cidadãos de segunda categoria!
Já é tão difícil não saber nossa origem, não ter uma história, sentir que falta alguma coisa, sentir para sempre que foi deixado para trás.
Por favor, se coloquem no lugar, é como se você não tivesse lugar no mundo, como se você ocupasse um lugar indevido, e as pessoas te cobram por ele a todo instante. A todo o momento nos sentamos à beira do caminho, esperando que venham nos buscar. A vida passa e isto não acontece. É uma dor profunda, que às vezes faz com que a gente se volte contra quem nos acolheu com amor, pois esse amor não alimenta o vazio deixado pela ausência. Carregando tudo isso fica difícil para ambas as partes, família e adotado, ter que agüentar o olhar odioso do preconceito. Não é fácil... Por isso meus amigos cuidado com os comentários preconceituosos, pode-se magoar profundamente uma pessoa....bjs de luz a todos...